segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A primeira (e última) dança

Hoje eu só quero dançar com você
Meio cambaleantes bêbados e loucos
Vamos para essa pista cheia de luzes
Deslizemos suaves como bailarinos
Dancemos sobre esse gelo quebradiço.
Enquanto me gira e o mundo gira.
Tudo é colorido e eu salto sobre ti
Como beija-flor beijo seu nariz
Erga-me para os céus que abro meus braços
E vou contigo voando para a lua.
O mundo é nosso, meu amor
Gira gira gira, me jogue no chão.
Estamos brilhando de amores
Cintilantes e leves como flores
Beija-me como em nossos sonhos
Olhe nos meus olhos, case nossas almas
Enfim destruiremos a crista da razão
Que impedia nosso tão desejado enlace...
Não, não, não! Não podemos ficar juntos
O gelo quebrou, estou caindo para longe de ti
Essa água é fria, alguém me tire daqui.
Esse é o irrevogável perigo da realidade
Somos demais para nós dois.
Intensos, agudos, poderosos, insanos.
Vamos nos destruir em nossas presenças.
O tempo se esgotou para nossa união.
Separemo-nos agora, tenha um bom dia.
Eu te amo enquanto posso.

6 comentários:

  1. Não sei porque, mas o final referente à separação me fez lembrar Encontros e Desencontros.

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  2. Isso me lembrou euguine oneguin de Tchaikovsky ao som de "rex tremendae majestatis" do requièm de Mozart. Como uma vela acendendo, brilhando e se apagando.
    No meu mundo as coisas não findam, eu as guardo dentro da minha torre de mármore - intranspoonível aos inimigos, ao tempo, ao destino e ao esquecimento.

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  3. ah,mas uma hora acha um jeito de dar certo...

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  4. Ah, que bonito! Seus textos são sempre tão leves e doces, caem tão bem!

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  5. o final é sublime. lindo, lindo.

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